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Por que a energia nuclear não é renovável?



Com a guerra da Ucrânia, a Europa se empenha para usar mais as energias alternativas como eólica e solar. Mas em maior quantidade o carvão, apesar do seu alto potencial poluidor. Sol e vento não são suficientes para substituir o gás.

Mas por que não usar a energia nuclear? Alta produtividade, apesar do seu custo inicial, mas sem a poluição das termoelétricas e sem os danos ambientais das hidroelétricas.

A resposta talvez seja o fantasma de Chernobil, na Ucrânia também, que explodiu e pegou fogo, em 1986, lançando material radioativo na atmosfera, provocando danos para cerca de 5 milhões de pessoas, deslocamento de 200 mil pessoas e cerca de 120 mil mortes até 2005 entre as equipes de limpeza que atuaram na região, segundo Kate Brown, Professor de Ciência, Tecnologia e Sociedade no Massachusetts Institute of Technology/USA. Já o caso do terremoto seguido de tsunami no Japão em 2018, não foi um acidente, mas decorrência de catástrofe natural, quando os japoneses enfrentaram um vazamento de radiação na usina nuclear Fukushima. Esse acidente, porém, não é comparável à maior tragédia nuclear da história em Chernobil, que foi um erro humano (uma vez que os operadores do reator descumpriram diversos itens dos protocolos de segurança).

Então, o problema não é a questão de ser renovável ou não, quando na verdade não é, mas é uma questão de segurança - de se investir, pesquisar e desenvolver as melhores tecnologias de segurança. Pelo menos por enquanto, continuando como uma " Energia do Futuro " ou não.

Em 30/06/22 a Agência Internacional de Energia (AIE) defendeu publicamente um relatório que expõe o papel significativo da energia nuclear na transição energética. Mas para que essa significância ocorra, informaram que a capacidade nuclear teria que duplicar até a metade do século, por volta de 2050, num cenário para atingir zero emissões líquidas de carbono. Ainda assim, a fonte nuclear representaria 8% da produção global de energia, a ser dominada pelas energias renováveis, salientaram.

A AIE observou que não faz recomendações aos países que renunciaram definitivamente à energia nuclear, mas salientou que “construir sistemas energéticos sustentáveis e limpos sem energia nuclear será mais difícil, mais caro e mais arriscado”.

Os autores do estudo demonstraram, que a nível global, não está crescendo o interesse para o desenvolvimento dessa energia, pelo contrário, está decaindo. Há várias razões para esta redução, incluindo o envelhecimento dos reatores nucleares nos países desenvolvidos e de haver poucos planos para serem renovados, sobretudo devido ao elevado custo que isso implica e à oposição do público, apontou o documento. Na prática, dos 31 reatores que começaram a ser construídos em todo o mundo desde 2017, 27 foram projetados por russos ou chineses. Por estas razões, o diretor executivo da AIE, Fatih Birol, disse acreditar que a energia nuclear tem no contexto atual “uma oportunidade única para a inovação”. Porém, Birol acrescentou, que “uma nova era para a energia nuclear não está de todo garantida” e vai depender dos governos implementarem políticas para assegurar o funcionamento “seguro e sustentável” das centrais nucleares e mobilizarem os investimentos necessários.



Num passado recente tivemos mundialmente muitos problemas com o descarte correto dos resíduos de geração de energia nuclear (lixo radioativo jogado ao mar ou acumulado à céu aberto). Os resíduos radioativos, como rejeitos de usinas de urânio, combustível de reator gasto (usado) e outros resíduos radioativos. Esses materiais podem permanecer radioativos e perigosos para a saúde humana por milhares de anos. Esses resíduos estão sujeitos a regulamentos especiais que regem seu manuseio, transporte, armazenamento e descarte de acordo com cada país ou união de países. Esse descarte precisa ser muito bem planejado em termos de tecnologia e infraestrutura para proteger a saúde humana e o meio ambiente.

Também há a questão polêmica da grande emissão de carbono para se construir e manter inicialmente uma usina nuclear. Reatores nucleares não produzem poluição do ar ou dióxido de carbono durante sua operação. No entanto, os processos de mineração e refino de minério de urânio e fabricação de combustível de reator exigem grandes quantidades de energia (qual tipo de energia, é o problema). As usinas nucleares também têm grandes quantidades de metal e concreto, que exigem grandes quantidades de energia (de novo, qual é o tipo de energia) para serem fabricadas. Se os combustíveis fósseis são usados ​​para mineração e refino de minério de urânio, ou se os combustíveis fósseis são usados ​​na construção da usina nuclear, então as emissões da queima desses combustíveis podem estar associadas à eletricidade que as usinas nucleares geram e esse é um grande problema neste momento de transição energética.



Vamos a um pouco de informação necessária. Seguem as observações da EIA – U.S. Energy Information Administration:

Os resíduos radioativos são classificados como resíduos de baixo nível ou resíduos de alto nível. No Brasil por norma da CNEN (Comissão Nacional de Energia Nuclear), os rejeitos são classificados em categorias segundo o estado físico, radiação, concentração e taxa de exposição na superfície do rejeito e determinam, ainda, se são de baixo, médio ou alto nível de radioatividade. A radioatividade desses resíduos pode variar de níveis um pouco mais altos do que os naturais, como para rejeitos de usinas de urânio, até a radioatividade muito mais alta do combustível de reator usado (gasto) e partes de reatores nucleares. A radioatividade do lixo nuclear diminui ao longo do tempo através de um processo chamado decaimento radioativo. A quantidade de tempo que leva para a radioatividade do material radioativo diminuir para metade do seu nível original é chamada de meia-vida radioativa. Os resíduos radioativos com meia-vida curta são frequentemente armazenados temporariamente antes do descarte para reduzir as doses potenciais de radiação para os trabalhadores que manuseiam e transportam os resíduos. Este sistema de armazenamento também reduz os níveis de radiação nos locais de descarte.

Em volume, a maioria dos resíduos relacionados à indústria de energia nuclear tem um nível relativamente baixo de radioatividade. Os rejeitos de usinas de urânio contêm o elemento radioativo rádio, que decai para produzir o gás radioativo radônio. A maioria dos rejeitos da usina de urânio é colocada perto da instalação de processamento, ou usina, de onde eles vêm. Os rejeitos da usina de urânio são cobertos com uma barreira de vedação de material como argila para evitar que o radônio escape para a atmosfera. A barreira de vedação é coberta por uma camada de solo, rochas ou outros materiais para evitar a erosão da barreira de vedação.

Os outros tipos de resíduos radioativos de baixo nível são as ferramentas, roupas de proteção, panos de limpeza e outros itens descartáveis ​​que são contaminados com pequenas quantidades de poeira ou partículas radioativas em instalações de processamento de combustível nuclear e usinas nucleares. Esses materiais estão sujeitos a regulamentações especiais para seu manuseio, armazenamento e descarte, para que não entrem em contato com o ambiente externo.

Os resíduos radioativos de alto nível consistem em combustível irradiado ou gasto de reator nuclear (combustível que não é mais útil para a produção de eletricidade). O combustível usado do reator está em uma forma sólida, consistindo de pequenas pastilhas (pellets) de combustível em longos tubos de metal chamados rods.

O combustível usado do reator é altamente radioativo e, inicialmente, devem ser armazenado em piscinas de água especialmente projetadas. A água resfria o combustível e atua como um escudo de radiação. Um número crescente de operadores de reatores agora armazena seu combustível usado mais antigo em instalações de armazenamento a seco usando recipientes especiais de concreto ou aço, ao ar livre, com resfriamento a ar.



Grande abraço a todos. Sigamos percorrendo os caminhos do conhecimento e fazendo de tudo para uma vida mais saudável ao nosso planeta azul.

Hamylton Pinheiro Padilha Junior